
Um levantamento realizado em 2021 pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, a ABRAINC, e pela Brain Inteligência Estratégica, com 14 mil brasileiros, mostrou que 57% dos entrevistados preferiam imóveis com espaços arejados e integrados à natureza. Outros 56% afirmaram que pagariam mais por tecnologia de reutilização da água da chuva, enquanto 66% demonstraram a mesma disposição em relação à energia solar.
Divulgada em março de 2022, a pesquisa também indicou que 80% dos participantes consideravam que a compra do imóvel influencia a qualidade de vida. Os resultados ajudam a explicar por que ventilação, iluminação natural, eficiência no uso de recursos e presença de áreas verdes passaram a ocupar espaço relevante na concepção de empreendimentos residenciais.
No segmento de médio e alto padrão, esses atributos aparecem associados a decisões de arquitetura e engenharia, como orientação solar, ventilação cruzada, aproveitamento de luz natural e especificação de áreas verdes. Na Plaenge, construtora paranaense com atuação no mercado imobiliário brasileiro, esses critérios fazem parte do desenvolvimento de empreendimentos que buscam certificações ambientais reconhecidas internacionalmente.
“A decisão de compra passou a considerar como o projeto responde ao clima, à iluminação e à presença de áreas verdes. Esses elementos deixaram de ser apenas recursos estéticos e passaram a integrar o desempenho esperado do imóvel”, afirma Valeria Gabas, Diretora da Unidade de Negócio em Campo Grande.
A atuação ambiental da construtora também inclui o Projeto Raízes, iniciativa criada em 2021 que promove a plantação de milhares de mudas e ações educativas em comunidades próximas às obras em diferentes estados.
Certificações transformam atributos ambientais em indicadores
Certificações independentes permitem avaliar parte do desempenho ambiental dos empreendimentos. O EDGE, sistema vinculado à International Finance Corporation, considera eficiência no uso de energia e água e redução da energia incorporada nos materiais. Antes da divulgação, recomenda-se incluir o link para o certificado e a ficha técnica que comprovem a versão da metodologia e os percentuais mínimos aplicáveis ao Momentum.
O Momentum, empreendimento da Plaenge em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, obteve a certificação EDGE e registrou redução projetada de 31,8% no consumo de energia, 20,3% no uso de água e 23% na energia incorporada nos materiais.
Também em Campo Grande, o Lieu Unique recebeu, em 2026, a certificação LEED Platinum, nível mais elevado do sistema do U.S. Green Building Council. O empreendimento tornou-se o único loteamento de Mato Grosso do Sul a alcançar essa certificação. Entre os aspectos avaliados estão planejamento urbano, eficiência no uso de recursos naturais, gestão hídrica, eficiência energética, mobilidade e preservação ambiental. Em Curitiba, no Paraná, o Landhaus recebeu a certificação EDGE e preserva um bosque de 16 mil metros quadrados junto às torres.
Natureza integrada às decisões de arquitetura e engenharia
Nos empreendimentos, a conexão com áreas verdes pode combinar paisagismo, conforto ambiental e eficiência no uso de recursos. No Momentum, espécies nativas do Cerrado integram o projeto paisagístico, enquanto soluções como vidros de controle solar e ventilação cruzada contribuem para reduzir a demanda de climatização artificial.
A presença de áreas verdes e as estratégias passivas de ventilação e iluminação aproximam esses projetos dos princípios do design biofílico, abordagem que busca intensificar a relação entre pessoas, arquitetura e natureza.
Ao combinar dados de comportamento do consumidor, critérios técnicos e certificações independentes, o setor imobiliário amplia a possibilidade de avaliar a sustentabilidade para além do discurso.
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