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O Mercado Imobiliário e a sua responsabilidade ambiental

Para os compradores, a consciência ambiental deve começar na escolha do imóvel

09/07/2024 às 09h00
Por: Redação
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O Mercado Imobiliário e a sua responsabilidade ambiental

A sustentabilidade no mercado imobiliário não é apenas uma tendência
passageira; é uma necessidade urgente que exige a atenção de todos os
envolvidos, desde investidores e construtores até compradores e
moradores. Em um mundo cada vez mais consciente dos impactos ambientais,
o setor imobiliário precisa assumir uma posição de liderança na adoção
de práticas sustentáveis. Este artigo explora a responsabilidade
compartilhada que todos nós temos em minimizar os danos ao meio ambiente
através de escolhas conscientes na compra e construção de imóveis.

O setor imobiliário é um dos maiores consumidores de recursos naturais e
energia, sendo responsável por uma significativa parcela das emissões de
gases de efeito estufa. De acordo com a Agência Internacional de Energia
(AIE), os edifícios são responsáveis por cerca de 40% do consumo global
de energia e 33% das emissões de CO2. Esses números impressionantes
destacam a necessidade urgente de práticas mais sustentáveis. No Brasil,
a construção civil é um dos setores que mais gera resíduos sólidos,
aproximadamente 50% do total produzido no país, segundo dados do
Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo
(SindusCon-SP). Além disso, a produção de cimento, um dos principais
materiais utilizados na construção, é altamente poluente, contribuindo
significativamente para a emissão de dióxido de carbono.

Para os compradores, a consciência ambiental deve começar na escolha do
imóvel. É fundamental considerar aspectos como a eficiência energética,
a origem dos materiais de construção e a gestão de resíduos do
empreendimento. Certificações como LEED (Leadership in Energy and
Environmental Design) e AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental) são
indicadores importantes de práticas sustentáveis. Investir em imóveis
sustentáveis não só ajuda a proteger o meio ambiente, mas também pode
resultar em economias significativas a longo prazo. Edifícios eficientes
energeticamente podem reduzir as contas de luz e água, além de aumentar
o valor de revenda do imóvel. Estudos mostram que imóveis com
certificação verde podem ter um valor até 30% superior aos não
certificados.

Do lado dos construtores, a adoção de práticas sustentáveis é crucial.
Isso inclui desde a escolha de materiais menos poluentes até a
implementação de sistemas de gestão de resíduos e o uso de tecnologias
de construção verde. O uso de energia renovável, como paineis solares e
sistemas de aquecimento eficientes, deve ser incentivado e incorporado
desde o início do projeto. A adoção de tecnologias como a Building
Information Modeling (BIM) permite um planejamento mais eficiente,
reduzindo desperdícios e melhorando a precisão na utilização de
recursos. Além disso, a construção modular, que permite a fabricação de
partes do edifício em fábricas controladas, pode diminuir
significativamente os resíduos de construção e o impacto ambiental.

Existem diversos exemplos de projetos imobiliários que têm adotado
práticas sustentáveis com sucesso. Um exemplo notável é o edifício Bosco
Verticale em Milão, Itália, que integra mais de 900 árvores e diversas
plantas em sua estrutura, promovendo a biodiversidade e melhorando a
qualidade do ar. No Brasil, o empreendimento Pátio Victor Malzoni, em
São Paulo, é um exemplo de construção sustentável, utilizando materiais
reciclados, sistemas de reaproveitamento de água e eficiência
energética. Esses exemplos mostram que é possível alinhar
desenvolvimento imobiliário com sustentabilidade, beneficiando tanto o
meio ambiente quanto a sociedade.

Para que o mercado imobiliário se torne verdadeiramente sustentável, é
necessário um esforço conjunto de todos os envolvidos. Governos podem
implementar políticas que incentivem a construção sustentável, como
isenções fiscais e financiamentos com taxas de juros reduzidas para
projetos verdes. Os construtores devem continuar inovando e adotando
tecnologias que minimizem o impacto ambiental. E, crucialmente, os
compradores devem priorizar a sustentabilidade em suas decisões de
compra. A educação e conscientização sobre a importância da
sustentabilidade no setor imobiliário são fundamentais. Programas de
certificação e treinamento para profissionais do setor podem ajudar a
disseminar práticas verdes. Além disso, campanhas de conscientização
para o público em geral podem aumentar a demanda por imóveis
sustentáveis, incentivando mais construtores a adotarem essas práticas.

No entanto, não se trata apenas de grandes empreendimentos. Pequenas
ações também fazem uma diferença significativa. A escolha de materiais
recicláveis, a utilização de sistemas de captação de água da chuva, e a
instalação de telhados verdes são algumas das práticas que podem ser
incorporadas tanto em grandes quanto em pequenos projetos. Cada decisão
conta e contribui para um impacto ambiental reduzido.

As tecnologias emergentes também estão desempenhando um papel vital na
transformação do mercado imobiliário. Por exemplo, a Internet das Coisas
(IoT) está sendo utilizada para criar edifícios inteligentes que
monitoram e otimizam o uso de energia em tempo real. Sistemas de
automação residencial podem ajustar o consumo de eletricidade e água com
base na ocupação e nas necessidades dos moradores, resultando em maior
eficiência e economia.

Além disso, a gestão de resíduos é uma área crítica onde os construtores
podem fazer uma diferença significativa. Implementar programas de
reciclagem e reutilização de materiais de construção pode reduzir
drasticamente a quantidade de resíduos que acabam em aterros sanitários.
A adoção de práticas de construção circular, onde os materiais são
projetados para serem desmontados e reutilizados, está ganhando tração e
promete transformar a forma como os edifícios são concebidos e
construídos.

A responsabilidade com a natureza é uma co-responsabilidade de todos os
atores do mercado imobiliário. A adoção de práticas sustentáveis na
construção e na compra de imóveis é um passo crucial para mitigar os
impactos ambientais e garantir um futuro mais verde. O caminho para um
mercado imobiliário sustentável é desafiador, mas os benefícios
econômicos, sociais e ambientais tornam essa jornada não apenas
necessária, mas também altamente recompensadora. A conscientização e a
ação imediata são essenciais para transformar o setor e proteger o nosso
planeta para as futuras gerações. A responsabilidade compartilhada é a
chave para um futuro onde o desenvolvimento imobiliário e a preservação
ambiental caminhem juntos, garantindo um legado positivo para as
próximas gerações.


Marie Brandão founder e CEO da Stratégie Inteligência e Gestão
Imobiliária

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