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Casal foi atrás de casas de 1 euro na Itália e acabou gastando R$ 870 mil

Eles compraram dois imóveis, um do lado do outro, por R$ 150 mil; o restante foi voltado a reformas e gastos complementares

01/04/2024 às 10h00
Por: Redação
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Foto: Reprodução/Instagram/@sicilydreamhome
Foto: Reprodução/Instagram/@sicilydreamhome

Os norte-americanos Tam e Gary Holm resolveram se aventurar na história das ‘casas de 1 euro’, na Itália. Tudo começou em 2019, quando leram uma matéria sobre essa oportunidade e decidiram ir até a Itália para checar tudo de perto. No fim das contas, a compra de duas casas que deveria ter custado 2 euros, pouco mais de R$ 10 reais, custou quase R$ 150 mil – isso fora as reformas, que elevaram os gastos a R$ 870 mil. Eles contaram sua história em entrevista ao portal Business Insider.


Embarcando nessa, o casal escreveu um e-mail para o prefeito da região de Sambuca di Sicilia em 2019, para saber mais informações sobre o projeto, e descobriu que havia passeios pela cidade e pelas casas que estavam sendo vendidas por um euro.


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Foram lá e, na prática, descobriram que os leilões dos imóveis começaram com um euro, mas que as apostas dos interessados iam longe. No fim, para comprar duas casas que os interessaram gastaram cerca de 27 mil euros - quase R$ 150 mil.

“Não é muito dinheiro, mas não é um euro ou dois euros”, frisam.

No geral, envolvendo documentações, reformas e pormenores de engenharia, os custos totais foram de 160 mil euros, aproximadamente R$ 870 mil.

Mesmo com os gastos inesperados, eles avaliam que tudo valeu a pena e se apaixonaram pela região. “Penso que o programa de um euro foi brilhante, em minha opinião, porque deu a algumas pessoas a oportunidade de obter casas por muito pouco dinheiro e trouxe-nos até aqui”, diz Gary. 

“Antes de vir para Sambuca para o programa, eu nunca tinha estado na Sicília e não sabíamos nada sobre a Sicília  Absolutamente nada. E é tão incrível. Estou um pouco triste porque o segredo foi revelado.”, brinca Tam.

 

Experiência de brasileira
No ano passado, o Terra contou a história de Rubia Daniels, que comprou três casas pelo valor simbólico de 1 euro na Itália - o equivalente a R$ 5, na cotação atual. No seu caso, as casas foram na comuna Mussomeli, na região de Sicília - uma cidade com cerca de 11 mil habitantes e reconhecida como uma das mais seguras da Itália.

No regulamento a nível municipal deste caso, é ressaltado que objetivo da iniciativa é valorizar e recuperar os imóveis do centro histórico, tornando a cidade mais ativa. Com as facilitações, o que era visto como ruínas para alguns, se tornam possibilidades de recomeços para outros.

Segundo informações do projeto Case 1 Euro, nas últimas décadas muitos moradores deixaram a região de Mussomeli e se mudaram para grandes centros urbanos. Esse êxodo rural fez com que muitas casas que pertenciam a parentes mais velhos ou falecidos ficassem vazias.

Além disso, para os cidadãos italianos, o IPTU da primeira casa não é pago. Mas se a pessoa tiver mais de uma casa, a taxa retorna. Então, para não precisar pagar um ‘super imposto’ ao governo italiano, moradores preferem vender suas casas ‘abandonadas’ por um euro e se livrarem da taxação.

Por acaso, Rubia foi uma das brasileiras pioneiras nessa toada. Imersa nas reformas nesses quase cinco anos, ela diz já ter ajudado diretamente e indiretamente mais de 150 pessoas a conseguirem comprar casarões por projetos do tipo. Sua filha, por exemplo, comprou uma residência ao lado de uma das suas. “Hoje meus vizinhos daqui [Califórnia] são também meus vizinhos em Sicília”, brinca.

Com base em sua experiência e informações oficiais do projeto em Mussolemi, o Terra preparou uma lista do que o brasileiro precisa saber e fazer para conseguir se juntar ao grupo dos compradores de casas de um euro na Sicília. Confira as dicas: 

1. Nada é feito pela internet

Para participar do projeto é preciso ir até o local. Para isso, o primeiro passo é entrar em contato com a prefeitura de Mussomeli e verificar a disponibilidade de visitas às casas que fazem parte do projeto. Lá, pessoalmente, a pessoa visita os locais, fica por dentro de todos os detalhes dos edifícios e consegue ter noção do quanto terá que investir para reformar o espaço.

Depois de escolher a casa histórica, é preciso preencher um modelo de solicitação de compra e dar início ao processo de aquisição. A dica de Rubia é que a pessoa faça sua ‘busca pessoal’ sobre o projeto e se planeje para dar o primeiro passo - ou o primeiro ‘voo’.

“É um fenômeno global. Tem gente do mundo todo indo para aquela cidade e escolhendo suas casas, escolhendo outras formas de viverem.”

Em Mussomeli, a agência autorizada para cuidar do processo é a Case 1 Euro. No site, com informações disponibilizadas em inglês, é possível conferir mais detalhes do trâmite. Lá também são disponibilizadas algumas fotos de casas disponíveis por um euro. 


 

2. Casa é gratuita, mas a documentação não

No geral, o ‘um euro’ é simbólico. Mas, apesar de a casa ser gratuita, tudo que está associado à sua documentação tem um curto. 

De acordo com a experiência de Rúbia, é preciso pagar 500 euros - equivalente a cerca de R$ 2.600 - aos agentes imobiliários para cada casa escolhida. Esse valor é para que eles preparem toda a documentação da casa e organizem a parte burocrática da compra do imóvel. 

Depois, quando a documentação estiver pronta, também é preciso desembolsar um pouco mais para pegar a escritura do imóvel. Segundo Rúbia, o valor costuma variar entre 2800 euros (R$ 14.706) e 3500 euros (R$ 18.382). É nesse momento o comprador ganha as chaves da casa.

Além disso, há um pagamento caução que deve ser para o município de Mussomeli de 5 mil euros - cerca de R$ 26.255 -, válido por três anos. Essa é uma garantia de que o novo proprietário irá cumprir os requisitos obrigatórios do projeto.

Somando tudo, o brasileiro que quer investir em uma casa de um euro tem que gastar, no mínimo, em torno de R$ 40 mil só com a parte de documentação da residência - e todos os valores precisam ser pagos à vista. Além disso, é preciso colocar na conta o dinheiro a ser gasto com as viagens até o local e a reforma da casa.

 

3. Com a chave em mãos, responsabilidades

Com as chaves do imóvel em mãos, é a hora de o proprietário começar a reforma e cumprir a principal obrigação do projeto: renovar a fachada da casa.

O novo proprietário terá um ano, a contar da data de compra, para elaborar um projeto de reforma e recuperação do imóvel. No total, o governo dá o prazo de três anos para que o novo proprietário reforme a parte exterior do imóvel. É um requisito que essa reforma mantenha as características do imóvel, porque essas casas estão localizadas no centro histórico da cidade. 


 
Como algumas casas chegam a estar “em ruínas”, o que costuma dar mais trabalho é a reforma do telhado. Já com relação à parte interna da casa, o proprietário pode reformar conforme seu ritmo. Lembrando que a prefeitura de Mussomeli não fornece nenhuma ajuda de custo voltada para o processo de reforma.

4. Cuidado com a 'multa'

No caso de Mussomeli, se o novo proprietário da casa de um euro não reformar a casa no período de três anos, perderá os 5 mil euros que pagou de caução ao governo no início do processo. Na prática, segundo Rubia, depois que o projeto é finalizado esse valor costuma ser reembolsado mesmo se a pessoa tiver passado do prazo.

Caso o proprietário esteja com dificuldades no processo de finalização, a sugestão da brasileira é que a pessoa vá até as autoridades municipais e os mantenham informados.


5. Não é obrigatório morar

No caso de Sicília, não há obrigatoriedade de morar na residência comprada por um euro ou transformá-la em um negócio. Em outros países da Europa que contam com projetos similares, os requisitos podem variar.

Desse modo, na região, há quem reforme a casa e a transforme em uma casa de verão, ou faz um negócio, ou decide se mudar permanentemente -  como no caso de Rubia, que pretende viver como aposentada por lá.

“Se você tem oportunidade, é uma opção excelente. Você vai estar em uma cidade que não tem violência, é um lugar lindo, perto do mar. Você vai estar perto de monumentos arqueológicos. Sicília é realmente fantástico. Para todos que tem a opção e tem o sonho, vale a pena.”

6. Pode pra vender?

Segundo Rúbia, as obrigatoriedades com o projeto terminam quando o novo proprietário cumpre a reforma da fachada. Após isso, é possível vender.

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